No crepúsculo das férias
Nunca pensei que fosse falar isso. Mas falarei.
Não agüento mais tomar sorvete.
Porque é gostoso tomar sorvete quando você está com vontade. Não por obrigação.
E o que resta a uma pessoa que passou pela carnificina de ter dois dentes do siso arrancados? Esbaldar-se na restritiva dieta de sorver aquele creme gelado.
Não posso reclamar. Estou tomando o delicioso Napolitano da Kibon. E aqui em casa não há muita frescura. Ninguém reclamaria se eu fizesse um buraco na parte rosa apenas para tomar sorvete de morango. Ou na parte branca para ficar só com o sabor creme. Menos ainda se colheradas desfalcassem o lado marrom, do chocolate. Seria apenas, contudo, um paliativo. Enjoei de sorvete.
Justamente porque agora, na impossibilidade de mastigar (e de falar, como o dr. Leonardo frisou), quero comer pizza, esfiha, Big Mac, amendoim, coco, manga, mexirica, pão francês com salame. E, na boa, até aceitava um churrasquinho grego.
Para mim, esses dias de sofrimento são apenas o prenúncio. Em breve, como tanta gente grande por aí, serei dona de um sorriso metálico. Que papelão! Aparelho aos 25 anos, a essa altura do campeonato? Bem feito. Ninguém mandou adiar o inadiável por tanto tempo.
Escrito por mais uma às 20h32
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